Na realidade, a estranheza em compartilhar isso também me prende nesse estado de dormir acordada, não só por não partilhamos de uma cumplicidade profunda, mas, e principalmente, por saber que discutir o motivo disso será uma tarefa em vão.
Talvez seja o trauma da falta da paciência para certas coisas que relações passadas tenham deixado na gente. Talvez só a “nostalgia do início não tão distante”, coisa que você não entenderia, não com a sensibilidade e profundeza que eu emprego em cada sílaba dita.
É lembrar das vezes que você voltava, sóbrio ou embriagado, e atribuía a mim o troféu de melhor portadora dos seus sonhos, seja por mensagens de carinhos saudosos ou um beijo quente e amargado pelo álcool entranhado na saliva. Ou lembrar das surpresas seguidas em pequenos detalhes ao longo da semana, sem muitos enfeites mas com o meu aroma preferido, o de ser surpreendida. E lembrar dos gestos carinhosos, acompanhados de planos de futuro, seja ele próximo ou distante, juras que pelo menos em palavras, ficavam...em palavras.
A procura do ou dos motivos que causam a tempestade daqui de dentro...
seria uma crise de dois anos?
a sua forma de se adaptar às novidades?
ou um delírio de falta de sono?
Não sei no que prefiro ou concordo em acreditar.
Só sei que, lá no fundo, o que resume tudo isso é o meu sentimento de que o peso que eu tenho na sua vida, não é mais o mesmo.
O pensamento não passa de um clarão na noite, mas esse clarão representa tudo.
(Henri Poincaré)
